4 Formas de Amar

4 Formas de Amar

“Acima de tudo, cultivai, com todo ardor, o amor mútuo.” 1 Pedro 4,8

“Ainda encontro a fórmula do amor”, o grupo Kid Abelha cantava esse hit de sucesso dos anos 1980, composição de Leoni e Leo Jaime. Quem não deseja encontrar esta fórmula? Melhor ainda se essa fórmula funcionasse nos dois sentidos: amar e ser amado. Pois bem, como não temos ainda a fórmula, podemos falar das formas, dos modos de amar. Vamos ver?

Usamos o verbo amar indistintamente, para vários tipos de amor. Claro que sabemos que amamos nossa mãe ou pai de uma forma diferente de como amamos nosso marido ou esposa. O amor até parece que tem algum ingrediente comum em todas as formas em que ele se manifesta, mas contém também diferenças marcantes. Neste artigo vou apresentar essas diferenças.

Uma possível interpretação para o amor é ver como esse sentimento era designado por quatro palavras diferentes no idioma grego antigo ou grego clássico. Estes termos eram usados uns cinco ou seis séculos antes de Cristo, época em que viveram Sócrates e Platão e um pouco antes. Dois desses termos foram utilizados no Novo Testamento da Bíblia. Recorro aos termos gregos porque este idioma contribuiu para a formação de diversos idiomas, inclusive o português, que tem sua origem no latim sob influência do grego.

Ágape (pronúncia: ágapi)

É o amor incondicional, o amor que se doa, o amor onde há entrega e auto sacrifício. Comparado às outras formas de amor, o amor ágape parece ser o mais sublime. No primeiro mandamento: “amar a Deus sobre todas as coisas” o verbo utilizado é ágape. Este verbo também era utilizado no período clássico grego como o amor entre esposo e esposa, amor aos filhos e à família.

Ágape é o tipo de amor que Deus tem pelos seus filhos. É uma forma de amor tão sublime que algumas pessoas pensavam que era uma forma de amor exclusivamente divina. É certo que ágape, doado com a perfeição divina, é inatingível por humanos, contudo, dentro das limitações e imperfeições humanas é possível doar o amor ágape. Vemos pessoas amando com essa intensidade, com gratuidade e doação sinceras, entregando-se sem medidas a uma relação ou a uma causa.

Há um outro emprego para esta palavra. Os cristãos primitivos realizavam uma festa ou celebração com o nome de ágape. Reuniam-se para uma refeição festiva, onde celebravam a eucaristia, ou seja: distribuíam o pão conforme fora ensinado por Jesus. A celebração do ágape é equivalente ao que hoje celebramos com o nome de missa.

Eros (pronúncia: éros)

Na sociedade erotizada em que vivemos, diante da super estimulação da sexualidade pelos meios de comunicação, as palavras eros e erótico assumem uma conotação exclusivamente sexual. Freud e a psicanálise enfatizaram a vinculação entre eros e amor apaixonado, desejo e atração sensual, sexo e libido. Mas não é este o único sentido da palavra. Jung usa eros como atributo da psique feminina, em oposição a logos e razão, que predominam no masculino. Platão definia eros como a contemplação do belo no interior da outra pessoa, uma forma ideal de amor, aquela chamada amor platônico, que não precisa realizar-se no plano físico, que este filósofo considerava inferior ao mundo das formas e ideias.

O amor eros é a melhor expressão do amor romântico, aquele sentimento maior que a amizade, que adquire um colorido afetivo especial, que une os amantes. Eros possui também conotação de atração física, desejo e sexo. É belo ver como a natureza dota os seres com dons e carências que se complementam. A união dos corpos é uma dimensão maravilhosa dentro das possibilidades humanas. Como eu disse em outros artigos, corpo e alma são uma unidade, o amor que existe nas emoções materializa-se na união física.

No sentido romântico, amor erótico é essa complementaridade, esta união entre o desejo e o sentimento, entre a atração física e as afeições do espírito. A erotização excessiva, a visão única de eros na sua dimensão sexual, refere-se ao instinto, que move a nossa parte animal, que nos iguala a eles. Nada de errado com o instinto sexual, ocorre que o humano encontrou formas de enriquecer a satisfação dos instintos com arte, beleza, cultura e espírito. Assim como ritualizamos e sofisticamos a satisfação da fome, não comendo qualquer coisa, em qualquer lugar e de qualquer jeito; o mesmo temos a capacidade de fazer com o instinto sexual.

Philia (pronúncia: filía)

Amor amigo, amor virtuoso e desapaixonado, amor sem conotação sexual. Philia é o tipo de amor que dedicamos aos amigos e aos irmãos. Satisfaz as nossas necessidades de expressão de companheirismo, lealdade e consideração. Embora philia ainda manifeste alguma forma de interesse é um amor mais desinteressado que o erótico. É o amor que pode ser dedicado a uma ou a diversas pessoas individualmente ou a grupos.

É o tipo de amor em que predomina o interesse no desenvolvimento e no bem-estar do outro, não há possessividade, o que se busca é uma relação agradável com o outro, compartilhar a vida e seus momentos, estabelecer uma relação íntima onde é possível a confidência e a expressão mais autêntica do ser. Não temos vergonha de mostrar nossos defeitos aos amigos, pelo contrário, é comum conversarmos sobre as nossas debilidades para obter ajuda. No amor romântico é mais frequente a ocorrência de omissões ou disfarces com o intuito de impressionar e conquistar.

Philia é a outra palavra usada na Bíblia com o significado de amor. Abrange amor ao próximo, o amor fraterno que ama o outro como irmão ou como a si mesmo, amor cheio de compaixão.  Jesus diz, em João 13,35: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros”. Este amor a que Jesus se refere é philos, o amor amigo, filial, fraterno.

Storge (pronúncia: istórgi, com “i” mudo, stórgi)

É o amor familiar, que manifesta as ligações e os vínculos afetivos entre pais e filhos e entre os irmãos. Parece ser um amor que se desenvolve naturalmente, não é um amor que se adquire, ele é pré-existente. Os pais amam seus filhos desde o ventre da mãe, antes do nascimento. O momento do parto é o encontro com o ser amado. Esta é uma forma de amor que já vem pronta desde o nascimento.

Storge poderia ser traduzido como afeição, com o significado de ternura, afeto, cuidado, carinho. É uma forma de amor muito aconchegante, com o qual fomos acolhidos desde o nascimento. É um amor confortável, através do qual quem recebe sente-se acolhido e quem dá sente-se gratificado. Quando existente, é gratuito, prazeroso e tende à reciprocidade.

Qual a sua forma de amar?

Não precisa definir isso. Especificar as quatro formas de amor é criar a oportunidade de olhar para este sentimento. Existe uma lista de sete, uma outra de dez formas de amar. Também existe a “teoria das carências”, com um olhar completamente diferente.

Na relação de casal ou nas relações familiares, todas essas formas de amor podem acontecer. Falando apenas do casal, a ternura, o afeto, os cuidados, a união do casal e a união que promovem na família expressam storge. A amizade, o companheirismo, a cumplicidade e a confiança mútua são expressão da philia. A atração sexual, o desejo as relações eróticas são expressão de eros, no sentido físico e espiritual. O amor incondicional, que se doa com gratuidade, o amor profundo, ágape, também pode ser vivido na relação matrimonial.

Não existe nenhum padrão para o início ou para a evolução do amor. O vínculo pode ser estabelecido por qualquer uma dessas vias. Há vínculos amorosos que tiveram início na amizade, outros na sexualidade, outros pela compaixão. É muito comum vermos as relações que tiveram início na atração física, e que foram incluindo philia, ágape e storge. Na evolução dos relacionamentos um aspecto pode se desvanecer ou apagar, como eros, e outros permanecerem ou aumentarem.

Não importa definir a sua forma de amar. Há quem defende que todas as formas de amor, quando são amor, manifestam aquela forma de amor mais perfeita e sublime, o amor ágape. Nesta visão, apenas os objetos, a forma de relacionar-se e, ocasionalmente, a intensidade do amor é que mudam, mas a natureza do amor é sempre a mesma: incondicional e gratuita.  Então, ame, continue amando.

José Hamilton Ferreira

Psicólogo CRP SP 36505

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