Casal Cultivando Vínculos: Dores e Delícias

O ser humano é um ser de relações, nasce numa família, vive em grupos e tende a sentir-se mal quando está sozinho. Isso tem o nome: é o instinto gregário, quer dizer, a necessidade inata de estar junto. Então, buscamos constantemente a formação de vínculos. Uma das dimensões do vínculo é o amoroso, vamos falar disso neste artigo.

As delícias do relacionamento

A primeira pessoa com quem nos relacionamos é a nossa mãe. Uma delícia, não é? Mas não é o suficiente. O tempo vai passando e vamos incluindo outras pessoas em nossas vidas. As primeiras delícias dos nossos vínculos são as pessoas da nossa família: pais, irmãos, tios e tias, primos. Vô e vó, nem se fala, é delícia pura. Depois vêm os amigos, outra coisa boa.

Finalmente, acontece de nos vincularmos a uma pessoa de uma forma toda especial. É o amor romântico, que normalmente começa com a paixão, aquele sentimento intenso em que nos transbordamos. No primeiro relacionamento ou num dos relacionamentos que aconteceram ao longo da nossa vida, decidimos formar casal, compartilhar a vida com maior proximidade, morar juntos, ter uma vida em comum. O vínculo de casal é uma outra delícia, mas também tem as suas dores. Um relacionamento normalmente é um “mix” de alegrias e dificuldades. Vamos olhar mais de perto.

Relacionar-se é fácil?

É interessante, como uma das nossas grandes necessidades, que é estarmos juntos com outras pessoas, implica em algo que não é fácil para muitos de nós: relacionamentos. Ah! Como é complicado lidar com as nossas vontades em conflito com as vontades dos outros. Vivemos esse drama desde a nossa infância, em quase todos os nossos relacionamentos.

Por um lado, a vida seria uma maravilha se tudo fosse “como eu quero”. Parece que “do meu jeito” tudo seria melhor. Acontece que diante de um “eu” quase sempre existe um “tu”, ou “eles”. Cada indivíduo traz consigo suas opiniões, preferências, necessidades, urgências, talentos, capacidades, traumas, mágoas, manias, amor, ódio, organização, manias, costumes, e tantas outras coisas que facilitam e complicam os relacionamentos.

Egoísmo e altruísmo: as nossas ações e comportamentos situam-se em algum ponto entre estes dois extremos. Geralmente não temos um ponto fixo de desempenho nessa escala. As pessoas comportam-se com maior frequência de uma determinada forma, isto é, tendendo para um padrão egoísta ou para um padrão altruísta, contudo, as circunstâncias podem alterar o padrão individual. Por exemplo: Camila é uma pessoa que tende ao altruísmo, ele gosta de ajudar as pessoas, é compreensiva, consegue adiar os seus desejos para atender às necessidades dos outros. Pode ser que numa situação de perigo, onde todos têm que disputar algo escasso, como sair por uma porta estreita, a Camila tente conquistar o seu espaço empurrando as pessoas, agindo da mesma forma que o grupo. Nesta situação, a nossa personagem saiu do seu padrão usual e comportou-se de uma forma que privilegiou as suas próprias necessidades e não as dos outros.

Não é possível prever o nosso comportamento e o das outras pessoas o tempo todo. Necessidades internas ou externas levam-nos a agir de modos totalmente imprevistos. Este é um dos fatores que provocam as dificuldades de relacionamento. Não conseguimos ver os motivos do outro, portanto não conseguimos entender as suas ações, quando elas conflitam com as nossas expectativas.

E na vida em casal, as coisas são diferentes?

Quando estamos apaixonados, amando intensamente a outra pessoa, podemos pensar que a conhecemos, porque estamos numa fase bem harmoniosa do relacionamento, cheios de expectativas, sonhos e fantasias. Na fase do namoro, marcada principalmente pela convivência nos momentos prazerosos do laser, quase não sentimos os impactos das diferentes expectativas. As decisões a serem tomadas, as situações vivenciadas são bem mais simples.

Na vida de casal sob o mesmo teto, muita coisa muda: o tempo de convivência é maior, as responsabilidades assumidas aumentaram, o tempo para os passeios são disputados com outros compromissos da vida a dois, enfim, é outro cenário.

As pessoas continuam as mesmas, mas as circunstâncias diferentes podem provocar atitudes em padrões diferentes naquela escala que vai do altruísmo ao egoísmo. Isso é a causa daquela expressão que ouvimos constantemente: “fulano ou fulana tornou-se uma pessoa completamente diferente depois que casamos – ou que passamos a morar juntos.” E aí? As delícias do relacionamento viraram dores?

O que fazer?

A alternativa mais fácil e muito utilizada é: “você prá lá, eu prá cá… não dá mais, acabou!”. Mas isso resolve? Primeiro: continuamos gregários, isto é, necessitamos de relacionamentos. As pessoas continuam diferentes, com as mesmas possibilidade de reações inesperadas diante de mudanças de cenários. Por isso é que muitas pessoas fracassam em vários relacionamentos. A “curva de aprendizagem” da convivência costuma ser longa, exige esforço, paciência, resistência à frustração, amor verdadeiro, capacidade de perdoar, desenvolvimento de virtudes pessoais e uma lista enorme de outras habilidades pessoais e interpessoais. Todos estes ingredientes estão na contramão da atual corrida hedonista, ou seja, de buscar apenas o que dá prazer, o que é gostoso, fácil e imediato.

No momento histórico atual, foi colocado num trono alguns valores, dentre eles a subjetividade e a individualidade. A pessoa pode começar a valorizar apenas o que sente e o que deseja, perde a capacidade de perceber o outro, que o outro existe. O “eu” está no centro sozinho. O antropocentrismo, que ainda contempla o coletivo, está sendo substituído pelo individualismo. Para enfatizar, podemos chamar essa tendência de “eu-centrismo”.

Isso parece preocupante, a ponto de que um dos quatro pilares da educação para o nosso século, segundo Jacques Delors, é aprender a conviver.

Aprender a conviver, o que é?

É um importantíssimo aprendizado, implica aprender a viver com os outros, a compreendê-los, a desenvolver a percepção de interdependência, aprender a dialogar diante dos conflitos, a participar de projetos comuns, a ter prazer em compartilhar momentos e vida em comum. Para aprender a conviver o diálogo é um dos elementos centrais.

Uma das habilidades importantíssimas é a capacidade de escutar. Vemos cada vez mais pessoas sem a capacidade inicial de ouvir e muito menos de escutar. Ouvir é apenas receber a informação, perceber o som. Escutar é mais que isso, é prestar atenção ao significado, entender o que o outro está dizendo, é valorizar a expressão do outro. Ouvir é um fenômeno biológico, escutar é um acontecimento psicológico, depende da nossa vontade, relaciona-se com a ética da convivência.

Nosso tempo é caracterizado por uma ansiedade em falar, mostrar, exibir, brilhar, ostentar. É mais imperiosa a necessidade de falar, postar, compartilhar que a capacidade de ouvir, escutar, apreciar, contemplar.

Muitas pessoas engatam o “câmbio automático” do falar, sem dar espaço para ouvir, muito menos para escutar, não levam em consideração a fala do outro, como se o outro e a sua mensagem não tivessem valor. Praticar a escuta não significa necessariamente concordar, mas sim entender, compreender, estabelecer uma forma de empatia com o interlocutor. Podemos discordar e argumentar, isso faz parte do diálogo. O primeiro passo que manifesta respeito à individualidade do outro e a prática da escuta atenta, é dar espaço para a expressão do outro e levá-la em consideração.

Não escutar o outro é uma forma de desqualificação. Desqualificar é tirar a qualidade de humano da outra pessoa, é agir como se ela não existisse. Uma das maiores ofensas que podemos fazer ao outro é a desqualificação. Podemos desqualificar propositalmente ou sem nos darmos conta disso. É preciso prestar muita atenção em como agimos, para não desqualificar as pessoas com quem nos relacionamos.

“Você me ouve, mas não me escuta!”

Em outros artigos aprofundarei a questão da escuta. Por ora, fique atento quando seu parceiro ou parceira lhe disser aquela frase que dói: “você me ouve, mas não me escuta”. Se este é o seu caso, nos seus relacionamentos comece aprimorando o ouvir, dê espaço para o outro falar. A seguir faça, o exercício de realmente escutar, deixe a fala e a expressão do outro virar significado, penetrar o seu intelecto, atingir os seus sentimentos. Se você não está escutando adequadamente, saiba que é possível realizar esta mudança, você pode fazer esta escolha, é uma questão de educação e aprimoramento dos seus hábitos. Isso com certeza contribuirá para a melhoria do seu vínculo amoroso e dos seus relacionamentos em geral. Escute!

José Hamilton Ferreira

Psicólogo CRP SP 36505

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