Espiritualidade da Alegria

“Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos.” (Filipenses 4,4)

Diferentes estados de espírito ou humor caracterizam a espiritualidade cristã católica. Humor e temperamento são características da personalidade. Cada indivíduo manifesta-os de um modo particular.

Neste artigo veremos o que se observa sobre o humor relacionado à espiritualidade e o que vemos na Palavra Sagrada sobre isso. Alegria, seriedade ou tristeza: com que humor devemos viver nossa espiritualidade?

É comum vermos pessoas assumirem uma feição séria ou uma cara fechada, ao falar sobre espiritualidade e religião. Ouvimos pregadores exaltarem-se em seus discursos, como se estivessem bravos. Dá até medo! Outros transformam o seguimento a Jesus Cristo em algo pesado, triste e mórbido.

Há quem cria para si e quer impor aos outros mil e uma regras de comportamento. Vivem apontando erros e proibições. Viver a espiritualidade desta forma é uma chatice tão grande, que nem vou falar mais deste tipo de postura. Você já sabe como é.

Tratarei aqui da espiritualidade da alegria, afinal a alegria traz benefícios para a nossa espiritualidade e também para a nossa saúde física e psíquica.

Cruz e alegria

O mistério cristão atingiu o seu ápice na cruz, na dor, no sacrifício, no Sangue do Cordeiro. É natural que quando meditamos sobre esses mistérios não vamos sorrir e dançar. A nossa introspecção contemplativa pode ser sóbria, compenetrada e respeitosa. Contudo, é através desse sacrifício perfeito que temos a alegria da salvação.

Foi passando pela experiência da dor que o Nosso Salvador retornou para a glória que tinha junto do Pai antes que o mundo existisse. Nossos sentimentos podem adquirir matizes diversas, uma combinação de sentimentos opostos: compaixão, pena, gratidão, ação de graças e o que mais o Espírito nos permitir. 

A espiritualidade da alegria alimenta-se da paixão, aprende com ela, aceita a oferta da cruz na vida pessoal, reconhece o valor do martírio. Tudo porque conhece a promessa da ressurreição.

Saindo da cruz

O que a espiritualidade da alegria nos ensina é não ficar preso apenas na paixão, na morte ou na dor. Ela ensina-nos a ver a alegria por detrás desses acontecimentos, que são vias para algo maior, para uma realidade transcendental.

Jesus foi retirado da cruz pelos seus discípulos e retirado da morte pelo seu Pai. Ele seguiu em frente, ressuscitou, foi glorificado.

A Alegria de Jesus

Antes do calvário, Jesus viveu alegremente com a família, com os amigos e com os discípulos. Ele participava das festas, das refeições e banquetes e reunia-se com as pessoas de uma forma tão inesperada pelos “sóbrios”, que foi incompreendido.

Claro que Jesus não vivia apenas em festas. Ele alegrava-se, mas também era dedicado à oração: retirava-se para orar, para entrar em intimidade com o Pai. Oração também é um momento de alegria, é um encontro com o nosso amado.

Um site bíblico informa que a palavra “alegria” aparece em 143 versículos. Nesta conta não estão considerados outros termos, como alegrar, alegrai-vos, alegro-me. Também não constam sinônimos como regozijar, felizes, bem-aventurados e outras expressões de alegria. A Palavra Sagrada é a mensagem do amor de Deus, Deus é amor, então toda ela é alegre, toda ela é feliz. Vejamos algumas cenas de alegria.

Alegria na chegada do menino Jesus

A encarnação do Verbo foi anunciada com um convite à alegria: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1,28). Isabel exalta de alegria diante de Maria: “Pois quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre” (Lc 1,44).

Maria responde com um cântico: “Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador” (Lc 1,47). Com alegria Zacarias, esposo de Isabel, profetiza bendizendo a Deus pelo cumprimento da promessa.

Depois do nascimento do Menino Deus, o anjo anuncia aos pastores: “Não temais! Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor, na casa de Davi” (Lc 2,10). Ao chegarem ao local da natividade, os pastores reviram a estrela que os guiara e “alegraram-se imensamente” (Mt 2,10).

Na narração da apresentação do menino no templo, Lucas, ainda no segundo capítulo, relata a alegria de Simeão, que ao reconhecer o Messias prometido toma o menino em seus braços e bendiz o Senhor com um lindo cântico que expressa a sua alegria e a felicidade que será para todo o povo.

O ministério público de Jesus foi marcado pela alegria. O primeiro sinal apresentado no Evangelho de João, ainda num momento em que Jesus dizia que “Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), mostra Jesus garantindo a alegria do casamento, em Caná, suprindo a festa com vinho da melhor qualidade.

Algumas citações bíblicas sobre alegria

“Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena (…) amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,11-12).

“… mas vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém tiirará vossa alegria” (Jo 16,22).

Mostrando a alegria do pastor que encontrou a ovelha perdida, Jesus diz: “E achando-a, alegre a põe sobre os ombros e, de volta para casa, convida os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’ ” (Lc 15,5-6).

“O Reino dos Céus é semelhante ao tesouro escondido num campo; um homem o acha e torna a esconder e, na sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo” (Mt 13,44).

Alegria das curas e libertações

Era grande a alegria das pessoas que foram curadas por Jesus. Não havia medicina na época, as doenças eram muitas e a pobreza era grande. Portadores de doenças mais graves não tinham esperança de cura, Jesus curou cegos de nascença, pessoas que nasceram com certas deformações ósseas. Ser curado, ver um irmão ou parente curado era motivo de grande alegria.

Pessoas marginalizadas, como a pecadora que estava para ser morta por apedrejamento, ou como a mulher samaritana, experimentaram grande alegria. Uma por ter a vida salva e por ter seus pecados perdoados; a outra, porque a palavra foi-lhe dirigida por um homem de uma nação inimiga. Esse homem judeu, que lhe dirigiu a palavra de uma forma totalmente inesperada encheu-lhe o coração. Jesus sabia alegrar a vida das pessoas.

O poder que Jesus concedeu aos apóstolos na missão que os enviou durante a sua vida pública, deu-lhes condições de realizar curas e outras realizações. Ao retornarem ao Mestre, estavam cheios de alegria.

Jesus alegrava a vida das pessoas

Jesus Cristo, O Profeta que se tornou popular, levava tanta alegria às pessoas, de modo que multidões o seguiam. Ele alegrava o coração daqueles a quem pedia pousada, como aconteceu com Zaqueu, a quem pedia comida, a quem oferecia a cura e a todos que se aproximavam dele.

Marta, Maria e Lázaro eram três irmãos muito unidos. Havia amor naquela família e o irmão Lázaro exercia um papel importante, dando dignidade àquelas mulheres, que naquele tempo seriam discriminadas e talvez perdessem as posses sem a presença masculina do irmão. Por tudo isso, grande deve ter sido a alegria das duas irmãs ao verem o irmão sendo ressuscitado por Jesus, no quarto dia após a morte, já cheirando mal.

Sua entrada gloriosa em Jerusalém foi tão festiva e alegre, que Jesus foi repreendido pelos fariseus. Estes lhe pediam para ele calar a multidão. Jesus respondeu que se as pessoas se calassem, as pedras cantariam.

Isso é uma pequena mostra da alegria que Jesus trazia à vida das pessoas. O seu ministério teve um intervalo de traição, injustiça, dor e tristeza. Contudo, Deus também está presente na tristeza: para amparar, consolar e restaurar a alegria. Depois da morte veio a ressurreição.

Alegria até diante da morte

Os relatos da ressurreição mostram espanto, mas mostram principalmente alegria. As mulheres se alegraram, os discípulos ficaram felizes e foram espalhando essa alegria para as outras pessoas.

Os primeiros séculos do cristianismo foram repletos de perseguição e martírio. Mesmo assim, foi uma época em que as pessoas viviam a religião com alegria.

Há diversos relatos de mártires que sorriam e demonstravam alegria diante da morte eminente, como o martírio de Estêvão, relatado no livro dos Atos dos Apóstolos. A fé enchia-lhes o coração, de tal forma que a perseguição e a morte não lhes amedrontavam.  

As palavras de Paulo expressam muito bem a determinação dessas primeiras comunidades: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a fome, a nudez, os perigos, a espada? ” (Rm 8,35). Essa ousadia vinculava-os à alegria da esperança e ao transcendente, de modo que a realidade era encarada com coragem.

Vida cristã é uma vida repleta de alegria

A vida cristã desperta alegria, empatia, compreensão, misericórdia, saúde, determinação, justiça, ajuda mútua, solidariedade, fraternidade e sorriso, ética, respeito e celebração.

Dispense toda forma de negativismo, fundamentalismo, falso moralismo. Não adote nem aceite o que segrega, afasta e discrimina. O cristianismo estimula a inclusão, a aceitação e o amor.

A alegria é própria do cristão. O discípulo de Jesus deve celebrar a vida como a celebrou o Mestre e os seus seguidores. A promessa gera uma grande esperança. Viva a sua espiritualidade com alegria!

José Hamilton Ferreira

Psicólogo José Ferreira – CRP-SP 36505.

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