Meditação Carmelitana

“Procurai lendo e encontrareis meditando; chamai orando e abrir-se-vos-á contemplando.” São João da Cruz

Conforme havia prometido no artigo “Meditação cristã ou oriental: Qual a melhor?”, apresentarei neste artigo o sistema de oração teresiana. Uma rápida introdução ao tema pode ser lida na parte final daquele artigo neste Blog.

Santa Teresa D’Ávila e São João da Cruz são mestres em meditação, tiveram grandes experiências místicas, são reconhecidos doutores da Igreja, contudo não sistematizaram suas formas de oração. Felizmente escreveram muito, vale a pena ler as suas obras completas. Nesses escritos eles deixaram várias “pistas”, ou princípios de oração. Sob inspiração dessa doutrina carmelitana descalça, foram elaborados alguns métodos de oração ou meditação, que apresentarei a seguir.

Convém advertir que a meditação de inspiração carmelitana fará mais sentido para quem possui um certo conhecimento dessa espiritualidade. Isso pode ser adquirido através da leitura de algumas obras desses dois fundadores. Sugiro como leituras iniciais O Livro da Vida, de Santa Teresa e O Cântico Espiritual, de São João da Cruz. Se começar por outras obras não há problema. Apresentarei os métodos de meditação com base no opúsculo que também recomendo: Rezar com Santa Teresa de Ávila, autoria dos Freis Patrício Sciadini e George Alves, Editora Loyola.

1° método: Oração contemplativa

É uma forma intuitiva de oração, não há um conteúdo para reflexão. É uma oração totalitária, onde Deus é o protagonista e a pessoa participa por inteiro, para que possa experimentar a alegria do encontro. O objetivo é ser oração e não apenas fazer oração. A pessoa deve estar aberta para que a oração aconteça no seu todo: corpo, mente, espírito, que formam uma unidade.

O silêncio é a base da oração contemplativa, Deus passou por Elias na brisa suave e silenciosa. A pessoa orante deve respirar a mesma vida de Deus, saborear essa brisa suave.

Pacificação

O primeiro passo é pacificar-se e disponibilizar-se para a contemplação. Vivemos o corre-corre da vida, que altera nossos ritmos: respiração curta e agitada, corpo agitado e estressado, mente agitada. Não há um sistema rígido a seguir, eis algumas sugestões para pacificar.

Pacificação da respiração

Em postura ereta, sentado em uma cadeira que tenha o encosto vertical, as mãos podem estar repousadas sobre o colo com as palmas voltadas para cima, os pés paralelos repousados no chão, sem sapatos apertados, o melhor é estar descalço. Pode sentar-se numa poltrona, sofá, chão ou almofada. Importa estar ereto e confortável. Use roupas folgadas, cuide para não sentir demasiado calor ou frio.

  • Observe a respiração;
  • Respire pelo nariz;
  • Aprofunde a respiração lentamente. No começo ela pode estar alta, só na parte superior do pulmão. Vá aumentando a amplitude da respiração, sinta o diafragma funcionando, ponha a mão sobre a barriga, a respiração profunda ocorre quando há movimentos de vai e vem na barriga. Esta é a respiração completa ou abdominal, ajuda a relaxar;
  • Una a sua respiração à respiração de Jesus e à ação do Espírito Santo. Visualize a figura iluminada de Jesus Ressuscitado entre as sobrancelhas;
  • Permaneça com esta imagem alguns minutos e repita algumas palavras à sua escolha, palavras que te aproximem de Deus. Repita as mesmas palavras acompanhando a respiração. Por exemplo:

Ao inspirar                               Ao expirar

Jesus                                       eu te amo.

Permanecei em mim               e eu em Vós.

O Pai e eu                                 somos um.

Vem                                        Senhor Jesus.

Pacificação do corpo

Não é fundamental, mas se você está familiarizado com alguma técnica de relaxamento corporal, pode utilizá-la. Se não conhece nenhuma técnica, faça o seguinte: num ritmo bem lento, dedique sua atenção sentindo (não imagine, sinta!) cada parte do seu corpo, levando a elas amor, harmonia, calma e gratidão. Permaneça de 20 a 30 segundos em cada parte. Comece sentindo os dedos dos pés, sola dos pés, peito dos pés, tornozelos, parte inferior das pernas – anterior e posterior, depois joelhos, parte superior das pernas – anterior e posterior, região dos genitais, glúteos, quadris, coluna, costas, barriga, diafragma, órgãos internos, coração, pulmão, peito, ombros, nuca, queixo, couro cabeludo, testa, têmporas, olhos, nariz, boca. Faça tudo isso com a respiração pacificada e o corpo confortavelmente sentado.

Pacificação intelectual

A respiração e a pacificação do corpo já produzem uma boa mudança, começam a acalmar a mente. Você pode criar uma imagem mental que lhe dê a sensação de paz, por exemplo: um por do sol na praia, o sol nascendo na montanha, um céu estrelado com lua cheia, uma paisagem, um lago, uma cascata. Na sua imagem mental comece a ouvir uma frase como “Eu sou a luz do mundo”, “Eu te dou a minha paz”, “Eu te darei a água viva”, “Dá-me da tua água, Senhor”. Escolha uma dessas  frases ou outra que você goste. Use apenas uma imagem e uma frase na meditação, pode alterá-las nas outras meditações.

Silêncio

Daqui em diante a intuição te guiará, o Espírito Santo virá em teu auxilia. O objetivo não é esvaziar a mente, nem ficar pensando nas suas coisas. Se ficar muito incomodado com a espera, fixe na sua tela mental uma imagem relacionada a Jesus, ou a própria imagem de Jesus. Você está ali é para encontrá-lo, deixe que ele venha. Distrações podem acontecer, especialmente na fase inicial. Não brigue com as distrações, respire e volte à sua imagem mental. Acostume-se a ficar em silêncio com Deus. Ele preencherá todos os espaços.

2° método: Recolhimento interior

Oração de recolhimento é buscar Deus no silêncio, buscar uma intimidade com Jesus ou com a Trindade, tratar da amizade a sós com aquele que nos ama. Os frades que nos orientam recomendam dizer em seu interior: “Jesus está em mim, assim como eu estou nele”.

Primeira parte: Eu ajo

Silenciando o corpo

Siga as instruções acima, de “Pacificação do corpo”, acima.

Silenciando externamente

Escute todos os sons ao seu redor, apenas escute, não fixe o pensamento neles, não se incomode, nem fique imaginando de onde vêm ou quem os produzem. Depois escute outros sons: altos e baixos, próximos e distantes, não se fixe nem demore em nenhum deles. Simplesmente, há barulhos, deixe-os, pacifique-os, que eles não te incomodem.

Silenciando internamente

Silencie suas emoções e sentimentos concentrando-se na sua respiração, desta vez sem alterá-la. Apenas siga-a em seus movimentos, sinta o ar entrando e saindo pelas narinas, o peito subindo e descendo, a barriga movimentando-se. Tudo em você está acalmando-se e move-se como as ondas de um calmo lago, como o grande oceano.

Silenciando e concentrando a mente

É muito difícil ficar sem pensar. Não alimente os pensamentos, deixe que eles passem um após outro, acolha-os e deixo-os ir, não tente impedir que eles venham. Você pode concentrar-se na respiração com ou sem uma palavra ou frase que te aproxime de Deus.

Segunda parte: Deus age

Silêncio e escuta

Feita a sua parte, deixe que Deus faça a parte Dele, quando Ele quiser. Esta é a parte mais importante do Recolhimento Interior. Estando pacificados, estamos prontos para sermos preenchidos por Deus. Nossos sentidos interiores estão em paz e receptivos, estamos prontos para escutar a Deus.

Não crie expectativas, não espere, não se apresse, não cobre nada do Amado. Apenas coloque-se disponível para escutar. No Recolhimento Interior, importa recolher-se; se acontecerá algo mais que isso, não depende da nossa pessoa.

Não se encante com suas experiências, não saia relatando-as, não se esvazie. Mantenha a humildade, tenha cuidado com as ilusões, nossa mente pode nos enganar. Santa Teresa dizia que o resultado da oração vem através do amor que realizamos como frutos da oração.

3° método: O Método carmelitano

Os dois métodos anteriores são mentais, este é discursivo. O centro deste método é o colóquio amoroso com o Senhor.

Princípios que podem ajudar neste método e nos demais:

  • Querer rezar – cultivar uma “determinada determinação”, ser perseverante, animar-se e adquirir o gosto pela oração. Cumprir o que se determinou a fazer, aconteça o que acontecer, superar os obstáculos.
  • Preparação remota – ou opção fundamental, é a escolha pelo caminho da meditação que nos aproxima de Deus, que motiva a preparação constante através dos cuidados com a vida emocional e interior, leituras espirituais, direção espiritual, cultivo do silêncio, aumento da cultura relacionada à meditação e à vida espiritual.
  • Preparação próxima – nos momentos que antecedem a meditação, voltar o pensamento para a meditação e para o Senhor, planejar os detalhes, cuidar do ambiente, se for em local externo, chegar com antecedência de cinco a dez minutos, estar atento ao encontro que deseja realizar. Não é essencial, mas se você sentir necessidade, faça aqui uma preparação corporal, pode seguir as instruções acima, de “Pacificação do corpo”.

Meditação

1. Colocar-se na presença de Deus

Deus sempre habita o nosso coração, é uma presença constante, embora não mantenhamos essa consciência todo o tempo. Através de sentimentos de amor, entrega e adoração, reavive esta presença. Faça uma oração como o Pai Nosso ou o Credo, peça a Luz do Espírito Santo, para que a meditação seja verdadeira e profunda.

2. Leitura

Selecione previamente o texto e faça a leitura. É conveniente para este fim, um texto com conteúdo espiritual; um texto que você já conheça, para não ter surpresas, o mais indicado é uma leitura dos Evangelhos. Leia de forma atenta e amorosa, buscando compreender o que está lendo, considere como se o Senhor estivesse falando com você.

3. Meditação 

É o trabalho intelectual de refletir, ruminar o conteúdo que foi lido, compreender. É um instante de preparação para o momento da oração (colóquio), para o que você vai dizer ao Senhor.

4. Colóquio afetivo

É o diálogo que se estabelece entre a pessoa e Deus, é o “trato de amizade”. Diálogo é um momento de falar, manifestar o que está dentro de nós, falar com liberdade e simplicidade. Depois silenciar. Apenas no silêncio é possível escutar, escute. É o momento de amar e deixar-se ser amado pelo Senhor.

5. Compromisso

Saia desse encontro com um compromisso, com um projeto de vida, com um propósito concreto, algo que você poderá realizar na prática. Você poderá anotar no seu diário espiritual o propósito, para não se esquecer dele, para avaliar se o está colocando em prática.

6. Ação de graças

Saber agradecer é uma virtude. Agradeça pelo encontro, pelo amor que recebeu de Deus, pelos dons que recebe todos os dias. Você pode agradecer com uma oração própria e espontânea, pode recitar um salmo, um cântico como Magnificat ou Benedictus ou uma oração vocal como o Pai Nosso ou outra de sua preferência. Manifeste sua gratidão de uma forma pura e verdadeira.

7. Ação

Santa Teresa não se encantava com os fenômenos que podem acontecer na oração. Ela desejava frutos. Os frutos são ações concretas. A meditação teresiana deve verter amor na vida diária, deve provocar atitudes concretas de ajuda, solidariedade, compreensão, elevação da qualidade das relações e um enriquecimento geral das virtudes, aumento da fé, esperança e amor. A meditação teresiana deve gerar conversão e experiência pessoal com Deus.

Algumas Indicações

Esses métodos não são únicos e também não são rígidos. Eles foram inspirados nas pistas deixadas por Santa Teresa D’Ávila e São João da Cruz, são propostas para auxiliar o atingimento dos fins da meditação e não métodos rigorosos. Quem vai começar a meditar pode escolher uma dessas formas ou experimentar cada uma delas e ver com qual se identifica. A escolha de uma forma pessoal ajuda porque fixa o aprendizado através da repetição. A prática aumenta a destreza, cria hábito. Se você deseja utilizar um destes métodos de meditação carmelitana, comece a praticar. Não espere saber tudo para começar, é coisa simples, trata-se de uma entrega.

Para um aprofundamento na espiritualidade carmelitana, indico a leitura dos textos desses dois autores e os de Santa Terezinha do Menino Jesus. É possível participar de grupos como a OCDS – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares, ou de um GOT – Grupo de Oração Teresiana. Nesses grupos há troca de aprendizado e através deles são divulgados eventos culturais como congressos e fóruns ou eventos de espiritualidade, como retiros.

José Hamilton Ferreira

Psicólogo – José Ferreira CRP SP 36505

Sites de Referência:

http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/ – Província para as regiões Sudeste, Nordeste, Centro Oeste e Norte do Brasil.

https://ocdsprovincianossasenhoradocarmo.com/ – Província da região Sul do Brasil.

http://carmelitasld.blogspot.com/2015/04/grupo-de-oracao-teresiana.html – GOT Grupo de Oração Teresiana

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