Meditação cristã ou oriental: Qual a melhor?

Que te agradem as palavras de minha boca e o melhor do meu coração.
Salmos 19,15

Ouvimos frequentemente estímulos à prática da meditação e os seus benefícios físicos e emocionais, principalmente a redução da ansiedade, a grande vilã do momento. Quando se pergunta sobre meditação, a top of mind, a que as pessoas lembram primeiro e que muitos pensam ser a única é a meditação oriental, originárias principalmente do yoga e do budismo. Neste artigo mostrarei outras formas de meditação para que você analise qual seria a mais adequada para você.

Pratiquei meditação oriental durante 34 anos, dos 16 aos 50 anos. Não meditava todos os dias, mas estive ligado a elas durante todo este período. No meu retorno ao catolicismo, procurei por formas de meditação que utilizassem elementos do cristianismo. Encontrei diversos métodos de meditação, criados ao longo dos séculos, sem qualquer relação com as práticas orientais. O título deste artigo é provocativo, mas não seguirei por um caminho fundamentalista, elegendo uma forma e denegrindo a outra. Cada forma de meditação nasceu dentro de um contexto religioso e cultural, como resposta às necessidades daquele povo específico.

Dentre as diversas formas de meditação católica, comentarei aqui três delas: Lectio Divina, exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola e Oração Teresiana. O primeiro ponto que chama a atenção é que nenhuma destas formas católicas é conhecida por “meditação”, embora o sejam. Talvez essa seja uma razão pela qual elas são esquecidas, além do fato de a mídia preferir divulgar os elementos culturais New Age, ou da Nova Era. As notícias buscam atrair pelo exótico.

1. Exercícios Espirituais de Santo Inácio

Também conhecidos simplesmente por Exercício Espirituais e oração Inaciana. Foram elaborados por Santo Inácio de Loyola (1491-1556), o fundador da Companhia de Jesus. Ainda hoje utiliza-se o roteiro que Inácio elaborou para si mesmo no início da sua caminhada espiritual. É um sistema de meditação na forma de um roteiro para quatro semanas. Há dois formatos de exercícios espirituais. A primeira é participar de um retiro num centro especializado, sob a orientação dos jesuítas. O segundo modo é a forma mais viável para a maioria das pessoas. Seguindo um roteiro elaborado para cada dia, o “exercitante” realiza a meditação diária em local apropriado sob sua própria escolha, podendo ser sua casa, uma igreja ou capela, um parque, junto à natureza ou outro ambiente que lhe proporcione segurança, silêncio e que não seja interrompido. O tempo de oração deve ser de meia hora, preferencialmente pela manhã, mas pode ser realizada em outros horários.

O roteiro de meditação prevê cinco passos:

  1. Colocar-se na presença de Deus;
  2. Pedir a graça de Deus;
  3. Meditar a Palavra de Deus;
  4. Fazer um colóquio com Deus;
  5. Anotar o que foi mais marcante no exercício.

Cada um desses passos já vem planejado com um conteúdo apropriado. É uma oração que tem dois vieses, um conteudista e outro intimista. A mentalidade da idade média, época em que os exercícios espirituais foram elaborados, dava preferência por preencher a mente do meditante com conteúdos espirituais. Santo Inácio utilizou textos bíblicos para sua meditação. Outros sistemas, como o de São Pedro de Alcântara, adotaram a contemplação de imagens mentais de cenas bíblicas: nascimento de Jesus, Anunciação, batismo de Jesus, sermão da montanha, flagelação de Jesus, carregamento da cruz, Jesus orando no Getsemani, Jesus crucificado, Ascenção de Jesus ou outras cenas extraídas da Bíblia.

Na oração inaciana, a maior parte do tempo é dedicado a meditar a palavra de Deus. Instante de silêncio em que o exercitante ficará ruminando a Palavra lida, considerando os desdobramentos daquela palavra em diversos sentidos. Aqui não há muita instrução, entrega-se à guia do Espírito Santo. O que este sistema tem em comum com as meditações orientais é o silêncio e a solidão. Os exercitantes testemunham benefícios ligados ao temperamento, bem estar pessoal, melhoria nas relações interpessoais, redução da ansiedade e outros.

Para conhecer em detalhe este sistema para o exercício individual e acessar o roteiro dos exercícios, acesse o site https://domtotal.com/religiao-exercicios-espirituais.html , é uma revista eletrônica sem fins comerciais que tem ligações com a Companhia de Jesus, através da fundação que a mantém. Neste site constam informações sobre centros onde são oferecidos retiros de exercícios espirituais.

2. Lectio Divina

A Leitura Divina ou Leitura Orante é um sistema de oração judaico-cristã que conta com cerca de 2500 anos de existência. O povo do Antigo Testamento já realizava esse sistema de meditação da palavra. Há diversos registros, do primeiro e segundo séculos da era cristã, em que os Padres da Igreja estimulavam esta forma de oração. O termo Lectio Divina foi utilizado primeiramente por Orígenes, nascido em Alexandria, no Egito, no ano 184 e falecido em 256, em Tiro, no Líbano. O método utilizado atualmente foi criado no século XII pelo monge Guigo II, da Ordem dos Cartuxos.

Método clássico em quatro passos – lectio, meditatio, oratio, contemplatio:

  1. Leitura – Escolher um texto sagrado, ler, reler uma ou duas vezes, entregando-se ao texto, sem interpretações precipitadas. Familiarizar-se com o texto sagrado.
  2. Meditação – Repetir de memória palavras, frases e versículos que foram lidos, até que o conteúdo vá da cabeça para o coração.
  3. Oração – Diálogo e comunhão amorosa com Deus. Deus nos falou na leitura e na meditação, é o momento de responder e ouvir, momento de pedir ajuda para conseguir realizar o que decidiu fazer, momento de interceder pelos outros.
  4. Contemplação – É o ápice da lectio divina, é o esforço de fixar o olhar e o coração em Deus. Abrir-se para entrar em união com Ele, ver as pessoas e o mundo com o olhar de Deus. Não é uma experiência intelectual nem sensitiva, é um olhar com outros sentidos. A contemplação não depende tanto do orante; é dom, é graça de Deus.

Originalmente, é um sistema de oração individual, privilegia o silêncio e a solidão. Ultimamente tem surgido algumas adaptações para a leitura orante comunitária, uma alternativa válida, sob o ponto de vista da inclusão, pois nem todos os fiéis têm facilidade para ler ou possuem material para leitura.

Não tem muito o que estudar, é começando a praticar com persistência que se aprende e cria o hábito. Há sites que disponibilizam sugestões de leitura para a lectio divina, pode-se também buscar pelo termo “liturgia diária” e escolher uma das leituras, preferencialmente o evangelho. Para obter mais informações você pode começar com os sites abaixo:

https://leituraorante.comunidades.net/origem-do-metodo-da-lectio-divina ou https://www.mosteirodoencontro.org.br/index.php/liturgia/lectio-divina

3. Oração Teresiana

Esta é a minha preferida. Não é fácil apresentá-la no contexto deste artigo. Um pouco de história: no século XVI, Santa Teresa D’Ávila – não confundir com Santa Teresinha de Lisieux – reformou a Ordem do Carmelo, fundou a Ordem dos Carmelitas Descalços. Em conjunto com São João da Cruz deixou uma vasta doutrina sobre oração e meditação. Curiosamente, nenhum dos dois deixou um método específico de oração, deixaram pistas de como rezar. Também a oração teresiana, embora seja uma meditação das mais profundas, pois é uma meditação de alta mística, não leva o nome de meditação, mas de oração. Num grau mais avançado, quando Deus age, quando a oração tornou-se infusa, sob a ação do Espírito Santo, ela a denomina contemplação.

A experiência de Teresa com a oração e com Deus não dava margem à criação de um método, para ela oração “não consiste em pensar muito, mas em amar muito”. No Livro da Vida (8,5), Santa Teresa define “A oração mental é um tratar de amizade, estando, muitas vezes a sós, com Quem sabemos que nos ama”. Para ela Deus era um amigo, o esposo amado. Assim, para encontrar o amado basta abrir o coração, deixar o amado chegar de mansinho, estar disponível para recebê-lo, ouvi-lo ou simplesmente ficar admirando-o.

Teresa via que Deus trata cada pessoa individualmente e de uma forma especial. Não há uma forma pré-definida para isso, não há método. Quem deseja meditar, deve criar as condições para Deus agir, é uma espiritualidade da intimidade divina. A oração teresiana é primordialmente silenciosa, “grande coisa é a solidão”, dizia ela. Palavras que podem dar uma ideia da oração carmelitana é silêncio, solidão, humildade, amizade, desapego, abnegação, mortificação, alegria, compromisso, comunhão, castelo, moradas…

Há três principais métodos de meditação (ou oração), que foram inspirados nos escritos de Santa Teresa e de São João da Cruz, dois mentais e um discursivo. Não há espaço para apresenta-los aqui, escreverei um artigo exclusivo sobre eles.

Breve discussão sobre os métodos ocidentais e orientais

Os sistemas cristãos-católicos de meditação proporcionam os mesmos benefícios psicológicos e fisiológicos das outras práticas meditativas: contribuem para reduzir a ansiedade, para aumentar a concentração, diminui o stress pela diminuição dos níveis de cortisol, aumenta a imunidade, melhora a pressão arterial, dentre outros benefícios. O maior benefício que pode ser buscado através da meditação e oração é o amor de Deus, este já nos dá tudo o que precisamos, a meditação aproxima a nossa consciência dessa realidade.

As diferentes formas de meditação têm objetivos diferentes e utilizam símbolos específicos da cultura que lhes deu origem. A meditação oriental, yoga ou meditação transcendental busca esvaziar a mente e encontrar a paz. Um site sobre meditação oriental afirma que meditação “se destina a várias finalidades, seja para alcançar metas, aguçar a criatividade, relaxar (estar presente) ou simplesmente ter uma conexão espiritual, sendo estes os principais objetivos da meditação”. A minha experiência com a meditação oriental confirma: são esses os principais objetivos enfatizados, além dos benefícios físicos, concentração e alguns outros. Não existe a busca de contato com Deus, tendo em vista que na cultura politeísta os deuses não são objeto de meditação. Conheço apenas uma religião da Índia que canta mantras para um dos deuses em particular, para fixar na mente a lembrança constante dele.

Os sistemas cristãos originaram-se numa religião monoteísta e tem como principal meta a experiência pessoal com o Deus único, busca relação com Deus e deseja trazer para as relações sociais o aprendizado da vivência. Cristianismo pressupõe comunidade, fraternidade e união amorosa. Na ética cristã, todo esforço individual deve tender ao benefício coletivo. A pessoa orante está em busca de conversão, de transformação pessoal.

Outra característica da meditação cristã é que a meditação ou a oração acontecem como dons do Espírito Santo e não como conquista ou mérito pessoal. Por exemplo: quem vivencia uma grande experiência mística numa meditação através de uma grande contemplação, de uma experiência mística intensa, ou passou por uma uma levitação durante a oração; não se considera um grande meditador, um grande orante; pelo contrário, sente uma imensa gratidão porque Deus realizou nela esta obra, Deus fez-se sujeito da ação.

Mostrei três sistemas de meditação que são tesouros da tradição católica, infelizmente desconhecidos por muitas pessoas, inclusive por católicos que desejam praticar meditação. Manifestei a minha preferência, sem intenção de induzir a sua opção. Minha objetivo é compartilhar a informação para que você, de posse do conhecimento, possa fazer livremente suas escolhas e seguir o seu caminho.

José Hamilton Ferreira

Psicólogo – José Ferreira CRP SP 36505

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