Sonhos: função e interpretação
Como é bom sonhar.

“Há quem diga que são os sonhos dos homens que sustentam o mundo na sua órbita.” C.G.Jung

Neste artigo, abordarei o intrigante tema dos sonhos. Tratarei das questões que mais interessam às pessoas. Porque sonhamos? Qual a função dos sonhos? Como se lembrar deles? Como interpretá-los?  Como a psicologia lida com os sonhos?

Um pouco de história

Há muito tempo que os sonhos despertam a nossa atenção. Os povos antigos, de distintas civilizações, atribuíram aos sonhos diversos significados.

Os aborígenes australianos acreditavam que a vida humana era sustentada pelo sonho das formigas verdes que habitam o subsolo. Uma metáfora maravilhosa, significando que manipular a natureza de forma agressiva – como excesso de aragem, terraplanagem e uso de venenos – perturbaria o sonho das formigas verdes, desequilibrando a vida dos homens e dos animais.

Povos primitivos consideravam o sonho como uma forma de comunicação dos espíritos, anunciando bons ou maus agouros. Faziam amuletos, adotavam certos comportamentos e posturas corporais, realizavam rituais: tudo para afastar as influências nefastas ou para atrair as boas.

Sonhos na Bíblia

Há muitos sonhos relatados na Bíblia, em diversos contextos. Profetas e pessoas comuns eram avisadas em sonhos. José foi avisado em sonho sobre a gravidez de Maria. A esposa de Pilatos teve sonhos sobre Jesus e pediu ao marido para não se envolver com ele.

Os sonhos bíblicos, na maioria das vezes, exerciam uma função profética. Vejamos dois exemplos.

Um faraó, da XVII dinastia, sonhou com sete vacas gordas e depois setes vacas magras que as comeram. Num segundo sonho, na mesma noite, viu nascerem numa haste sete espigas boas e cheias. Após, sete espigas mirradas. Da mesma forma, as sete espigas mirradas devoraram as boas. José, conhecido como José do Egito, interpretou os sonhos como o prenúncio de sete anos de fartura, seguidos de sete anos de fome. José foi constituído governador e tomou as providências para armazenar grãos nos anos de fartura, para suprir o período de fome previsto. Este episódio está relatado no Livro de Gênesis (Gn 41, 01-36).

Outro é o sonho de Nabucodonosor, rei da Babilônia, relatado no quarto capítulo do Livro de Daniel. Um sonho intrigou o rei e foram chamados sábios, magos e feiticeiros para o interpretarem. Ninguém conseguiu decifrá-lo, exceto o profeta Daniel, que constrangido anunciou que o sonho previa a loucura que acometeria o rei no futuro.

Todos as pessoas sonham

Sonhar é uma experiência humana universal e todas as pessoas sonham. Contudo, muitas pessoas não conseguem recordar os seus sonhos.

Na atualidade, os sonhos continuam exercendo um fascínio sobre as pessoas. Tentamos entender a confusa linguagem dos sonhos, cheia de imagens, símbolos, cortes e mudanças bruscas de cenas. Quase sempre fracassamos ao tentar entendê-los.

O mercado editorial aproveita-se deste interesse e publica uma infinidade de livros, revistas, manuais e dicionários sobre o sentido e significado dos sonhos. Será que isso ajuda?

Os sonhos e a psicologia

Algumas abordagens em psicoterapia trabalham com a interpretação dos sonhos.

Freud interessou-se pelo fenômeno do sonho e passou a estudá-lo. Atribuiu ao sonho a função de guardião do sono. Entendeu que o sonho impede que impulsos reprimidos venham perturbar o sonhador. O sonho seria a realização disfarçada de um desejo reprimido, frequentemente desejos relacionados à sexualidade.

Jung aprofundou o estudo e apresentou um outro ponto de vista. Entendeu que o sonho compensa as visões limitadas que temos em nossa vida consciente. A atividade onírica realiza um processamento das informações. Jung rejeitou a ideia de disfarce e não admitiu que todos os sonhos tratem de desejos.

A três as funções do sonho:

1. Compensadora

Os sonhos funcionam como um mecanismo de autorregulação do diálogo consciente-inconsciente, compensando posições conscientes unilaterais ou antinaturais.

2.   Prospectiva

O inconsciente apreende impressões subliminares, sensações, sentimentos e outros estímulos não apreendidos pela psique consciente. Através de sonhos manifesta o que está para vir para o sujeito. Isso não é profecia, são os sonhos indicando o que a psique está para realizar, a partir de conteúdos não conscientes.

3. Função reativa

São a expressão de acontecimentos traumáticos revividos em sonhos como choques, guerras, inundações. O estímulo traumático repete-se em sonhos até desgastar-se.

Análise dos sonhos

Com essa visão ampliada, Jung entendeu que há duas formas de abordar os sonhos: análise redutiva e análise prospectiva.

A análise redutiva é a forma primária como a psicanálise freudiana tratava os sonhos. Entendia que o sonho referia-se a um conflito na vida passada do paciente, buscava localizar a sua causa. A ênfase está no por que se sonhou.

A análise prospectiva, pelo contrário, adota uma perspectiva de futuro, investiga para onde está caminhando o processo vital, não se prende aos obstáculos do passado. O que se busca é entender para que este sonho, qual a sua finalidade?

A psicoterapia junguiana aborda as pessoas com o entendimento de que estão em processo de individuação, de crescimento e de autorrealização. Desse modo, enfatizará a análise prospectiva dos sonhos. Adotará a análise causal ou redutiva apenas em determinados casos, quando há indicação de que complexos baseados na experiência passada estão impedindo o processo de individuação ou produzindo sofrimento emocional.

Como se lembrar dos sonhos

Uma forma eficaz para lembrar-se do que sonhou é anotar sistematicamente os sonhos.

Anote sempre no mesmo caderno ou arquivo e faça-o logo que acordar. Duas horas depois você poderá recordar-se apenas de fragmentos do sonho. Anotando os próprios sonhos você passará a recordar-se deles com mais facilidade e a quantidade de sonhos recordados por noite aumentará.

Interpretação dos sonhos

A interpretação funciona apenas para uma série de sonhos, não para sonhos isolados. Imagens e símbolos que se repetem indicam padrões de funcionamento da psique.

Uma boa interpretação exige conhecimento da simbologia e a capacidade de encontrar o sentido simbólico individual. A mesma imagem pode simbolizar coisas diferentes para pessoas diferentes.

Os manuais e dicionários de sonhos dão o sentido isolado de imagens e objetos. Não correlacionam os diversos símbolos do mesmo sonho e não levam em consideração as sequências de sonhos nem os padrões. Servem como curiosidade. Não contribuem para o autoconhecimento.

Sonhe, continue sonhando. Mesmo sem entendê-los, os sonhos silenciosamente estão desempenhando um importante papel no seu processo vital. Estão ajudando você no caminho da sua autodescoberta. Lembremos uma frase da célebre Clarice Lispector: “A mais premente necessidade de um ser humano é tornar-se um ser humano”.

Assim, quer contribuindo naturalmente para a vida psíquica, quer servindo de material auxiliar na psicoterapia, os sonhos desempenham importantes funções na vida humana.

José Hamilton Ferreira

Psicólogo José Ferreira – CRP SP/36505

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