Psicólogo Católico, o que é isso?

Psicologia e religião são dimensões distintas da experiência humana. Elas são praticadas em ambientes diferentes, possuem normas e leis distintas, o jeito praticar psicologia e religião são também específicos. Uma é filha da ciência, a outra da fé. Existe um diálogo possível entre psicologia e religião? Vejamos.

Subjetividade: significados internos

A mesma pessoa que realiza um ato exterior vive a situação em sua subjetividade. Os acontecimentos externos possuem significados e representações internas. Coisas distintas na prática podem estar unidas na subjetividade da pessoa.

Tomemos como exemplo um médico, que professa uma fé religiosa, realizando uma cirurgia. Com suas mãos, pensamentos, memória, vontade, etc., está seguindo procedimentos que aprendeu da ciência.  Ao mesmo tempo, ele pode estar intercedendo pelo paciente, orando mentalmente, pedindo proteção espiritual ao seu paciente e perícia para a sua ação. No campo da subjetividade, ciência e fé caminharam juntas nessa situação. Uma não excluiu a outra.

Brasil, povo religioso

As pessoas são frutos do seu tempo, cultura e costumes. A cultura do povo brasileiro é fortemente constituída por valores, crenças e práticas religiosas, as mais diversas. As pessoas trazem para a psicoterapia as suas angústias, medos, conflitos, alegrias, conquistas e realizações da vivência religiosa. Esses conteúdos serão acolhidos pelo psicólogo, que ajudará seu paciente na elaboração. Não cabe ao terapeuta assumir papel de orientador espiritual, guia, ou pregador do seu credo religioso, se o possui, nem assumirá posição de confronto diante das crenças do cliente.

A religião como traço cultural é um elemento formador do nosso povo, inclusive dos homens e mulheres da ciência e profissionais da psicologia. Vivemos num país laico, em que o direito de livre filiação e manifestação religiosa é garantido pelo ordenamento jurídico democrático e pela constituição.

Psicoterapia e identidade religiosa

O profissional de psicologia exerce uma profissão regulamentada, que é fiscalizada pelo Conselho Regional de Psicologia. Significa que há regras para o exercício profissional, obediência a um código de ética e o compromisso de contribuir para o desenvolvimento da psicologia como ciência. Tudo isso cria um ambiente de proteção ao exercício profissional e ao uso dos serviços psicológicos pela sociedade. Isso é válido e necessário.

A psicologia aplicada não pode misturar elementos que são próprios da ciência com elementos da religião. Por exemplo, orações ou leituras de escritos sagrados não fazem parte de nenhuma técnica psicológica. Os procedimentos e técnicas que os psicólogos utilizam estão embasados nos conhecimentos e teorias aceitas pela comunidade científica e de profissionais.

No exercício profissional, a interação que vejo como possível e que pratico, é a livre declaração da identidade e pertença religiosa pelo psicólogo, se este assim o desejar, combinada com uma prática psicológica restrita aos aspectos técnico-científico-éticos da profissão. A reflexão sobre a transformação constante das práticas humanas, leva-nos a considerar salutar o debate e o exercício do pensamento sobre a evolução da interação entre a ciência e a fé.

Pesquisas constataram que certas pessoas preferem submeter-se à orientação de psicoterapeutas que identificam que terão mais facilidade para compreender e compartilhar o seu sistema de crenças e significados espirituais.

Quando um psicólogo declara-se católico, evangélico, espírita, budista, etc., facilitará a sua identificação pelos clientes que buscam afinidade de crenças e significados espirituais. É importante respeitar os critérios de seleção do cliente, que normalmente já seleciona pela técnica ou abordagem empregada, sexo, idade e outros quesitos. Ao procurar um médico para curar a sua gripe as pessoas normalmente aceitam o plantonista do momento. É natural que ao procurar ajuda para as questões relacionadas à sua psyche, termo grego que significa alma, as pessoas sejam mais exigentes.

A declaração da identidade de crença não implica que o psicólogo fará qualquer tipo acepção de pessoas por razões de crença, raça, filiação política ou quaisquer outras. Eu mesmo, declaro minha identidade religiosa e tenho clientes de diversas religiões ou sem prática religiosa. Sem elementos de fundamentalismo e com o mínimo de maturidade pessoal, isso não interfere no trabalho e na relação terapêutica. Também isso não deve significar que aquele psicólogo é melhor que os demais por professar uma crença religiosa. Psicoterapia é uma arte em que o que conta é a habilidade clínica e técnica, não a crença religiosa do profissional. Tanto um profissional crente quanto um agnóstico poderão ser eficientes, desde que dominem boas técnicas.

Ciência e fé

Quanto aos seus fins últimos, ciência e fé estão em busca da verdade. A fé cristã busca a verdade última e transcendental, a verdade que começa no imanente, ou seja, aquilo que pode ser percebido pelos sentidos e pela razão, mas não se limita a isso; incorpora elementos da revelação, verdades que admite pela fé.

Buscando também a verdade, a ciência caminha através dos seus métodos, e conta com o teste de hipóteses, agindo por aproximações sucessivas. Quando novas descobertas revelam que o pensamento e práticas atuais são erro, a divulgação da novidade tem o fim de transformar o entendimento e a ação que tornou-se ineficiente ou errônea. Podemos dizer que a ciência busca o acerto caminhando pelos erros. Os caminhos da fé também estão sujeitos ao erro, pois o entendimento humano sobre a revelação é progressivo. Em suma, acertar e errar são possibilidades tanto da ciência quanto da fé. Deus não erra, mas a nossa compreensão sobre Ele é parcial.

Mudanças, tecnologia, costumes…

A prática da psicoterapia e a prestação de outros serviços psicológicos deve ser regida por leis e regulamentações a serem seguidas por todos os profissionais. A transformação da sociedade e das tecnologias assumiu uma velocidade jamais vista. Isso impõe que a reflexão e a busca de novas metodologias, novas práticas e novas interações da psicologia e outras instituições sociais seja constante. Também a ordenação legal e regulamentar deve adaptar-se a essas mudanças realizadas pela sociedade, sob pena de reter a psicologia aplicada num obsoletismo e defasagem diante das transformações sociais e técnicas.

Angústias humanas e sentido da vida

Com o devido cuidado e sem confrontar as leis e códigos existentes, novas maneiras de agir e inter-relacionar-se devem ser experimentadas para atender às necessidades existenciais e às angústias humanas. Dentre os fenômenos sociais da atualidade, parece ter aumentado a ocorrência do sentimento de solidão, das doenças emocionais e psicossomáticas e aumento de eventos de suicídios. Observa-se uma crescente busca pelo sentido da vida pelas pessoas, que vão se apropriando dos efeitos de viver uma vida sem sentido.

A religião, a filosofia, a psicologia, a ciência e a cultura sempre foram, e continuam sendo, campos férteis onde as pessoas buscam pelo sentido da vida. Cabe à vanguarda do pensamento, dos métodos e das práticas nesses diversos campos: pensar, propor e testar novas respostas e formas de interação.  

José Hamilton Ferreira
Psicólogo CRP SP 36505

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